BioCurtas biografias

Alma Mahler ou a vingança de pandora.

2-06-2009

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Bela, criativa e apaixonada, Alma Schindler (1879-1964) seria a mulher perfeita não fora a tendência suicida para se perder de amores por homens do seu nível intelectual. Logo aos 22 anos cometeu o erro da sua vida, ao casar com o puritano Gustav Mahler, que lhe disse isto assim: “Doravante terás uma única vocação: fazer-me feliz”. Com esta máxima lapidar, pretendia o ajuízado maestro impedir que a sua mulher se transformasse numa rival, e desatasse para ali a escrever música da boa – humilhação suprema para o director da Ópera de Viena. Alma, claro está, nunca deixou de compor, e tudo o que o fascismo colérico do marido conseguiu obter foi a infedilidade de sua mulher (o arquitecto Gropius – um dos fundadores da “Bauhaus” – não se importava nada com as partituras da sua bela amante), e uma separação dolorosa que o tornou cliente habitual de Sigmund Freud. Com a morte do marido, em 1911, Alma casa com Walter Gropius, para dele se separar logo de seguida e de pronto fazer vida comum com o pintor Oskar Kokoschka. Ainda assim, a bela musa não concluía o seu espólio de corações destroçados. Rompe com Oskar e casa com o poeta e novelista Franz Werfel. Entrementes, envolve-se em amizades mais ou menos coloridas com outros génios do século XX como Gustave Klimt, Bruno Walther ou Arnold Schönberg. É claro que no meio de todos estes romances com todos estes monstros da cultura europeia, ficou difícil deixar obra, mas Alma vingou-se afinal do machismo medieval destes homens que nunca reconheceram nela mais do que a ninfa danada das suas paixões, e podemos hoje considerar que sem a sua tentacular presença algo ficaria a faltar à história da música, da arquitectura, da psicologia e das artes plásticas do Século XX.

Um General Sem Medos.

27-02-2009

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Na imagem está Bernardim Freire de Andrade (1759/1809), um homem que pagou com a vida o caríssimo preço de amar a sua pátria. Vale a pena contar a história.
Quando em 1807, a mandos de Bonaparte, Junot entra em Portugal arrastando um exército andrajoso, exausto e famélico, não encontra resistência. O Príncipe Regente e sua corte comprida de lacaios e curta de coragem já tinha entretanto dado ares de vila diogo para o Brasil. Na mais negra das suas páginas, o exército português, superior em número e equipamento, recusa o combate e abre alas para que os franceses entrem em Lisboa como quem chega a uma simpática estalagem sobre o Tejo.
Dados os tristes factos, são os ingleses que reagem, enviando em 1808 – sob o comando do General Wellesley – um corpo expedicionário de 13.00 homens para salvar esta pátria alheia. É aqui que surge o General Bernardim. Inconformado com a deplorável situação, agrupa 7.600 soldados e junta-se aos Ingleses acabados de desembarcar no estuário do Mondego. Recusando incorporar os seus soldados nas fileiras britânicas, acaba por desempenhar um papel estratégico para o bom sucesso da iniciativa militar: duas ou três escaramuças depois, a força anglo-lusa coloca os franceses em debandada na Batalha do Vimeiro, a 21 de Agosto, concluíndo-se assim a primeira invasão napoleónica.
Acontece que os termos da rendição imposta a Junot eram de uma benevolência tal que, antes de abandonar o país, a sua deplorável soldadesca teve a oportunidade de saquear todas as localidades incluídas no trajecto para Espanha. Os Ingleses, por seu lado, decidem permanecer numa semi-ocupação do território nacional, despreocupadamente acampados em algumas das mais importantes praças-fortes do país. Indignado com os termos da rendição francesa e o abuso muito pouco cavalheiresco dos ingleses, o General protesta, amotina-se e morde os calcanhares a toda a gente até que a 17 de Março de 1809, os Ingleses – já fartinhos de tanto incómodo – o atraem a Braga e o entregam desprotegido à voracidade da turba popular, previamente “aquecida” e manipulada.
Patriota dos cinquenta e tal mil costados, Bernardim Freire de Andrade, herói da nação, morre linchado pelo seu próprio povo.
Haverá moral para uma história destas?

Intermezzo

27-01-2009

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H. von Karajan – Amigo Leonard, ontem tive uma conversa interessantíssima com Deus. Ele afirmou peremptoriamente que eu sou o mais dotado maestro da história da música!
L. Bernstein – Curioso, Herbert, não me lembro nada de ter tido essa conversa consigo.

Jacques-Yves Cousteau: o aventureiro das profundezas.

8-01-2009

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“A melhor forma de observarmos um peixe é passarmos a ser um peixe.”

Ao contrário do que geralmente é afirmado, o envolvimento de Jacques-Yves Cousteau no mundo submarino aconteceu de forma fortuita. Aos 26 anos, o futuro oceanógrafo sofreu um violento acidente automóvel, cujas mazelas o levaram a abdicar de uma carreira como aviador na Marinha. Ele mesmo diria posteriormente que o facto de ter estado às portas da morte lhe tinha salvo muito provavelmente a vida, já que a maior parte dos seus colegas de curso acabariam por ser abatidos durante a II Guerra Mundial.

Nascido a 11 de Junho de 1910, na região de Bordéus, Jacques-Yves Cousteau cedo se interessou por cinema e aventura. Espírito rebelde e indisciplinado, iria multiplicar as suas experiências de mergulho durante a II Guerra Mundial. Já nessa altura inicia pesquisas no sentido de criar equipamentos de mergulho com maior autonomia. Com Emile Gagnan engendrou um novo escafandro de mergulho que apresentava resultados verdadeiramente notáveis. O sistema permitia descidas à profundidade de 62 metros, pelo que o seu posterior uso generalizado se revelou determinante para a história da exploração submarina e das ciências do mar.
Terminada a Guerra, Cousteau é agraciado com a Legião de Honra e em 1950 é nomeado Presidente das Campanhas Oceanográficas Francesas.

Em 1956 co-realiza com Louis Malle “O Mundo do Silêncio” que obteve o Grande Prémio de Cannes e o Óscar para o melhor documentário. Em 1964 Cousteau receberia de novo esta distinção com o “Mundo Sem Sol”.
Nesse ano demite-se da marinha de guerra e passa a dedicar-se exclusivamente ao Calypso, iniciando a produção de sua primeira série para a televisão: “A Odisseia Submarina”, programa que despertou a consciência ambiental e a curiosidade científica em milhões de pessoas.

Os seus documentários televisivos são em número superior à centena e receberam no total 40 nomeações para Emys.

Ted Turner, o seu patrão da CNN, registou que cada um dos seus documentários foi, em média, três vezes mais caro do que as produções realizadas por aquela estação. Um filme de 48 minutos levava seis meses a montar. Os lucros eram sacrificados em favor da produção, para deslumbramento dos milhões de espectadores que viam o Comandante como o verdadeiro ícone do cientista aventureiro.

Líder de diversas instituições museológicas e de divulgação científica, personagem voluntariosa e carismática, Jacques-Yves Cousteau viria a falecer em 1997, apenas um ano depois do Calypso – o velho draga-minas companheiro de tantas aventuras – se ter afundado no Porto de Singapura.

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